| Fonte: http://www.vale.com/pt-br/investidores/web-casts/paginas/default.aspx |
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Vale - Comentários sobre os resultados do 3T11
Fica a dica para quem pensa em se tornar acionista da Vale e principalmente para os que já são acionistas.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Petrobras - investir ou não, eis a questão
Pela primeira vez no Aprendiz do Mercado temos um post específico sobre uma empresa. Evitei falar de empresas, mas não tem como não escrever sobre Petrobras.
A Petrobras é provavelmente a empresa de capital aberto mais comentada do Brasil. Até quem nunca comprou ações, alguma vez emitiu algum palpite sobre esta que é a maior empresa da bolsa brasileira.
Neste mês, exatamente no último dia 03, a Petrobras comemorou 58 anos de criação. Seu aniversário de 2011 é marcado pelo fato de que, desde 03/10 do ano passado até hoje, suas ações desvalorizaram 30%.
Mas aí vem a controvérsia, mesmo sendo a 3ª maior empresa de energia do mundo [Fonte: PFC Energy (janeiro/2011)], ter o valor da marca avaliada em R$ 19,27 bilhões segundo a Consultoria BrandAnalytics (2010) e ser a empresa mais lembrada na categoria combustível [Fonte: Prêmio Folha Top of Mind (outubro/2010)] - perfil (colhido na página de RI da empresa) - hoje em dia ela já não é mais a menina dos olhos dos investidores, principalmente para o curto prazo.
Não tenho dados para dizer se é a mais amada, ou mais odiada, mas certamente é a mais falada. Seja em fóruns sobre investimentos, grupos no facebook, conversas em mesa de bar, matérias em mídia especializada, análises de corretoras... Todo mundo tem um palpite sobre Petrobras.
A maior dúvida atualmente é em relação à extração de petróleo da camada pré-sal. A empresa vem investindo agressivamente nesse projeto de forma que, mesmo com o aumento do lucro líquido e da receita líquida, vemos sua margem líquida apresentar uma leve estagnação. Ou seja, o gasto com esse projeto é grande, sobra menos dinheiro em caixa, e o mercado não gosta disso no curto prazo o que reflete diretamente no preço de suas ações.
Vejam os gráficos abaixo. Este é o lucro líquido, crescendo muito bem:
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| Lucro líquido - histórico trimestral fonte: comdinheiro.com.br |
A receita líquida também cresce com boa evolução:
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| Receita líquida - histórico trimestral fonte: comdinheiro.com.br |
Uma empresa que apresenta aumento nas vendas e no lucro mas que mesmo assim tenha margem líquida em queda, certamente ou está deixando as despesas aumentarem ou está consumindo o lucro de alguma forma. É o que vemos atualmente na Petrobras, consumo do lucro provavelmente com o pré-sal. Veja a margem líquida abaixo.
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| Margem Líquida Lucro Líquido dividido pela Receita Líquida - histórico trimestral fonte: comdinheiro.com.br |
A margem vinha subindo levemente, deu uma caída no último período. Mas ainda assim, a variação não é de assustar como pode ser visto no anualizado abaixo:
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| Margem Líquida - histórico anual Lucro Líquido dividido pela Receita Líquida fonte: comdinheiro.com.br |
Por isso, a empresa não deixou de ser enorme, muito pelo contrário, vem crescendo cadas vez mais justamente pelo investimento que vem fazendo. Então fica a dúvida da maioria: é possível a empresa concretizar esse crescimento nos próximos anos? Vale à pena colocar dinheiro numa empresa que tem um projeto tão desafiador? Essas perguntas não são tão fáceis de responder quando vemos as ações tão estagnadas. Mas, façamos novas perguntas: você gostaria de ser sócio de uma empresa que não investe, que não tenta crescer? Você realmente acredita que uma gigante como a Petrobras não tenha capacidade de concretizar seu plano?
Para quem prefere empresas que investem menos, que já tenham uma estrutura estável, realmente irá preferir investir em empresas de energia elétrica por exemplo. Quem não gosta de projetos desafiadores, deve mesmo ficar distantes de empresas que investem pesado, no caso Petrobras seria o maior exemplo.
Mas, e o resultado disso tudo? Ao concretizar o plano de negócios o que se espera pode ser visto na imagem abaixo, colhida diretamente no kit do acionista encontrado na página de relacionamento com investidores da empresa:
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Projeção da produção até 2020 fonte: petrobras.com.br/ri |
Se isso vai se concretizar, ninguém sabe, não há como prever o futuro. Mas quando somos sócios de um negócio, qualquer que seja, corremos algum risco. De qualquer forma, o que vemos hoje é uma empresa que possui aumento das vendas e do lucro, o que garante distribuição de lucros através de dividendos e juros sobre capital próprio, portanto para o longo prazo, esta é uma grande opção para se manter em carteira.
Finalizando, vejam abaixo a evolução consolidada anual feita por Maurício Hissa da bastter.com, o que preocupa um pouco é a dívida aumentando, mas acredito não ser algo estranho para uma empresa investindo tanto.
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| Evolução anual - últimos 10 anos fonte: bastter.com |
Ser acionista ou não, é escolha totalmente pessoal. Mas é importante que ao emitir qualquer palpite, esteja embasado de dados. O que acontece na maioria das vezes é algumas pessoas dizerem que "Petrobras é ruim" quando ela custa R$19,00 , depois de então quando ela está R$40,00 passa a ser "a melhor do mundo". Dessa forma, o investidor incauto, compra no topo e vende no fundo seguindo uma lógica totalmente equivocada no mercado de ações.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Comparando Banana com Laranja nos Investimentos
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| Ambro / FreeDigitalPhotos.net |
Mais uma vez saiu hoje em diversos sites sobre economia que a renda fixa bateu a renda variável nos últimos anos (?). Usando o Google News para localizar tal notícia nas diversas fontes, notei que com o título "renda fixa é mais rentável que a bolsa há 17 anos", esse "furo" de reportagem apareceu em nada mais, nada menos do que 12 fontes diferentes, exatamente com o MESMO título. Fora as variações sobre o mesmo tema que não procurei e outras fontes que devem publicar ainda essa semana.
Agora, eu gostaria de saber qual o motivo de forçarem tanto a barra para que o pequeno investidor não coloque R$1,00 sequer na bolsa. O mais curioso: esse tipo de notícia coincidentemente sai quando a bolsa está em baixa, justamente no melhor momento de se fazer os maiores aportes, comprando empresas por preços convidativos.
Ou seja, bolsa brasileira rondando os 57 mil pontos, quando estivermos lá nos 70 mil, com vários papéis em seus topos históricos é que vão recomendar compras ?? Imagino que a resposta seja SIM, já que isso aconteceu outras vezes no passado, reportagens sobre pessoas que largaram seus empregos e foram para bolsa, reportagens sobre o glamour que é aplicar na bolsa, recomendações de compra com objetivos estratosféricos (os tais preços-alvo) que particularmente chamo de "objetivos das bolas de cristal".
Na minha opinião, o maior problema é que o pequeno investidor fica confuso quando lê algo do tipo:
O material (...) leva em consideração os resultados do Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa), principal termômetro da bolsa brasileira, e os títulos do Tesouro Direto.
Indo direto aos pontos:
1 - O índice ibovespa é composto por ações de 68 empresas dos mais variados setores da economia brasileira. Ao olhar o resultado do índice, qualquer estudo comparativo estará errando por um motivo simples: a carteira escolhida do investidor.
Imaginemos um investidor que escolheu boas empresas para ser sócio, não mais que 10 empresas, as famosas bluechips. Este investidor terá rentabilidade TOTALMENTE DIFERENTE de um outro que montou uma carteira idêntica ao índice, comprando nas mesmas proporções todas as 68 ações ou que simplesmente comprou o ETF BOVA11 que representa o índice.
Para exemplificar, Vale (VALE5) no período de 10 anos (2001-2011) está com valorização de 1.741%, eu não digitei errado, é isso mesmo mais de um mil porcento. Petrobras (PETR4) no mesmo período, 483% sem contar que chegou a 1.220% em seu topo histórico.
2 - Comparar banana com laranja não faz sentido, renda variável já tem esse nome justamente porque... varia.
Renda fixa é... fixa. Não existe esse tipo de comparação, pois cada um pode pegar um período diferente e vai ter resultados totalmente diferentes. Se comparar com períodos de alta das ações, elas ganharão, se pegar período de baixa, elas perderão. A renda fixa é um ótimo instrumento para ser mais um elemento de diversificação, mais um e não o único.
3 - Outra coisa que acaba desinformando é a desconsideração do investimento em bolsa como patrimônio.
Se qualquer financista fizer meras comparações de rentabilidades nas cotações, ele está assumindo que o investidor irá vender suas ações com o objetivo de ganhar na valorização da cotação. Mas, e aquele que compra ações para ser sócio das empresas e desfrutar dos rendimentos traduzidos por dividendos e juros sobre capital próprio?? Variações como as que eu mesmo exemplifiquei acima de mais de 1.000% não fazem a menor diferença para quem compra ações para a aposentadoria e posterior herança. - "E daí se subiu, não vou vender" - esse é o pensamento do holder (acumulador).
4 - Por último, por que comparar dois investimentos diferentes se eles não são mutuamente exclusivos?? O mesmo investidor que compra ações é o mesmo que compra títulos do governo.
Por que não lemos em quase lugar algum pela internet que está na hora de se concentrar mais em renda fixa ou em renda variável de tempos em tempos em vez de reportagens induzindo ao giro puro? Como se fosse fácil ficar correndo atrás "do melhor investimento", até parece. Sai da fixa vai para as ações, sai das ações, vai para a fixa, e assim vai a manada alimentando o sistema através de IR, taxas, etc, etc, etc. Quem fica procurando "o melhor" acaba diluindo boa parte do lucro com os custos da troca.
Talvez todo esse tipo de textos pela internet afora, de canais conhecidos faria um trabalho muito melhor se fizessem matérias sobre assuntos importantes como os estudos de Daniel Kahneman para que o pequeno investidor fuja do efeito manada, ou sobre estratégias como o Asset Allocation onde é muito mais fácil balancear o risco fazendo uma boa diversificação na carteira do que ficar procurando, se preocupando com qual aplicação é melhor.
Nem a minoria que domina o assunto sabe exatamente "o que é melhor". E não por culpa dessa minoria, simplesmente porque NÃO EXISTE o melhor, existem apenas investimentos diferentes, cada qual com seu prêmio e risco.
Em suma, banana não se compara com laranja e vice-versa.
Carlos Magno
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Venda descoberta de opções: operação sem sentido
Engana-se quem pensa que este artigo é apenas para dizer que a venda descoberta tem risco ilimitado, etc, etc. Embora isso seja verdade e, pasmem, há analistas técnicos famosos que dizem que este risco é "teórico", parece que há algo que nenhum investidor que opere venda descoberta de opções sequer tenha pensado. Se pensou e mesmo assim faz a operação, não pode ser chamado de investidor e sim de jogador.
Este detalhe desconsiderado é a taxa de ganho. Como em qualquer operação financeira, todo lucro e prejuízo é medido por taxa percentual, se você investe 100 reais e ganha 20, teve lucro de 20%, se perdeu 35, o prejuízo foi -35%. Simples. Porém, algo que não parece claro é, se você investe 10 mil e ganha 20 reais NÃO é a mesma coisa que investir 100 e ganhar 20, ainda que o ganho nominal seja igual (20=20). Simples mas alguns não aceitam.
Estas mesmas contas simples não são percebidas por aqueles que ficam ávidos em vender opções a descoberto. Antes, uma rápida explicação sobre a operação em si para aqueles que não conhecem e então falemos sobre a falta de sentido em não se considerar a taxa. Se você conhece opções, pule os próximos parágrafos e vá para "voltando às taxas".
Opções são derivativos que quando adquiridos, dão direito de compra ou de venda para aquele que adquiriu, chamado titular. Falando sobre opções de compra, as mais negociadas no Brasil, o titular da opção possui o direito de comprar determinado papel pelo valor definido em tal contrato até certa data pré-definida. Ao exercer esse direito, aquele que vendeu, chamado lançador, é obrigado a vender a ação pelo valor do contrato. Isto é, mesmo que por exemplo Petrobras esteja sendo negociada por 40 reais, quem tiver o direiro de comprar por 20,00 poderá faze-lo obrigando o lançador que possui as ações a vender por este valor.
Aí é que se define o famoso risco ilimitado para quem vendeu (lançou) uma opção SEM possuir a ação:
Imagine um lançador que vende 1.000 opções sobre ações da Petrobras de preço 25,00 e recebe um valor por isso. Se no dia que expirar esse contrato, a Petrobras estiver abaixo de 25,00 ninguém irá exercer o direito de compra justamente porque poderia comprar no mercado mais barato. Digamos que Petrobras esteja a 27,00 o lançador tem obrigação de vender por 25,00 e estaria perdendo 2,00 por ação, mas como recebeu um valor pela venda da opção o prejuízo foi menor ou até ficou no lucro, dependendo por quanto ele vendeu a opção. O problema é aquele que NAO tem Petrobras, ele é obrigado a ir no mercado, comprar por 27 e entregar por 25. Até aí prejuízo aceitável, já que no início do exemplo consideramos 1.000 opções dando um prejuízo de 2.000 reais.
Agora imagine que Petrobras descobriu um poço de petróleo enorme, digamos, Tupi. As ações disparam e vão a 50 reais por exemplo. O lançador tem que comprar o papel por 50 reais para entregar por 25... no nosso exemplo, estamos falando de 25.000,00 (isso se ele vendeu 1000 opções, se foi mais, multiplique proporcionalmente).
Note que esse pode ter sido o lucro de anos de operações, entregues de uma só vez. Se não tem o dinheiro, aí vem a corretora executar o que ele tem para pagar a dívida. Pode ser aquele carro que tá na garagem, comprado quem sabe com muita dificuldade...
Voltando às taxas
Quanto ao risco dessa operação, não se discute, dependendo de quantas opções vendeu e para quanto o papel subiu, realmente estamos falando de risco ilimitado. Como a cotação do papel não tem limite superior, pode subir ilimitadamente, o risco é o mesmo.
Veja como é uma operação sem sentido:
a) venda descoberta de 2.000 opções a R$1,20 = recebe R$2.400
- risco máximo: ilimitado
- ganho máximo: 2400 reais
- margem 400% : 4 x 2.400 = 9.600
- taxa de retorno maximo = 2400 / 9600 = 25%
b) trava de baixa de 2.000 opções recebendo spread de 1,20 = recebe R$2.400
*considerando uma trava com opções que tem diferença de preços de exercício de 2,00
- risco máximo: LIMITADO a 2,00* - 1,20 = 0,80 centavos x 2000 opções = R$1,600
- ganho máximo: 2400 reais
- margem : 2000 opções x 2,00* = R$4.000
- taxa de retorno maximo = 2400 / 4000 = 60%
Percebam que a maioria das corretoras pedem pelo menos 400% de margem sobre a venda. Ou seja, para cada 1 real vendido é preciso deixar 4 na corretora. Uma trava de baixa normalmente tem chamada de margem calculada pela multiplicação do número de opções vendidas pela diferença entre os preços de exercício (strikes) das opções da trava.
Isto faz com que no cenário 'a' sejam chamados 9.600,00 reais de margem e no cenário 'b' menos da metade disso, 4.000,00 reais. Ambas operações com objetivo de ganhar no máximo 2.400,00 reais.
Quem em sã consciência colocaria em jogo mais de 9 mil reais no em detrimento de colocar menos da metade disso para buscar o um ganho menor? Sim, um ganho menor, pois não se olha o valor recebido na operação e sim a taxa recebida. Na operação 'a' o ganho foi de 25% e na operação 'b' é de 60%. E ainda por cima correndo o risco de perder a margem e ainda sair devendo no caso da operação ir contra.
Só mesmo não sabendo o que está fazendo para colocar mais dinheiro em jogo com intuito de buscar ganho menor e ainda podendo sair devendo da operação.
...e o pior que ainda tem gente cobrando para ensinar os novatos a fazerem uma operação dessas. Antes de entrar em qualquer operação, verifique todo o plano e veja se vale a pena. Afinal, operações que parecem fáceis são as que podem lhe dar mais dor de cabeça.
Este detalhe desconsiderado é a taxa de ganho. Como em qualquer operação financeira, todo lucro e prejuízo é medido por taxa percentual, se você investe 100 reais e ganha 20, teve lucro de 20%, se perdeu 35, o prejuízo foi -35%. Simples. Porém, algo que não parece claro é, se você investe 10 mil e ganha 20 reais NÃO é a mesma coisa que investir 100 e ganhar 20, ainda que o ganho nominal seja igual (20=20). Simples mas alguns não aceitam.
Estas mesmas contas simples não são percebidas por aqueles que ficam ávidos em vender opções a descoberto. Antes, uma rápida explicação sobre a operação em si para aqueles que não conhecem e então falemos sobre a falta de sentido em não se considerar a taxa. Se você conhece opções, pule os próximos parágrafos e vá para "voltando às taxas".
Opções são derivativos que quando adquiridos, dão direito de compra ou de venda para aquele que adquiriu, chamado titular. Falando sobre opções de compra, as mais negociadas no Brasil, o titular da opção possui o direito de comprar determinado papel pelo valor definido em tal contrato até certa data pré-definida. Ao exercer esse direito, aquele que vendeu, chamado lançador, é obrigado a vender a ação pelo valor do contrato. Isto é, mesmo que por exemplo Petrobras esteja sendo negociada por 40 reais, quem tiver o direiro de comprar por 20,00 poderá faze-lo obrigando o lançador que possui as ações a vender por este valor.
Aí é que se define o famoso risco ilimitado para quem vendeu (lançou) uma opção SEM possuir a ação:
Imagine um lançador que vende 1.000 opções sobre ações da Petrobras de preço 25,00 e recebe um valor por isso. Se no dia que expirar esse contrato, a Petrobras estiver abaixo de 25,00 ninguém irá exercer o direito de compra justamente porque poderia comprar no mercado mais barato. Digamos que Petrobras esteja a 27,00 o lançador tem obrigação de vender por 25,00 e estaria perdendo 2,00 por ação, mas como recebeu um valor pela venda da opção o prejuízo foi menor ou até ficou no lucro, dependendo por quanto ele vendeu a opção. O problema é aquele que NAO tem Petrobras, ele é obrigado a ir no mercado, comprar por 27 e entregar por 25. Até aí prejuízo aceitável, já que no início do exemplo consideramos 1.000 opções dando um prejuízo de 2.000 reais.
Agora imagine que Petrobras descobriu um poço de petróleo enorme, digamos, Tupi. As ações disparam e vão a 50 reais por exemplo. O lançador tem que comprar o papel por 50 reais para entregar por 25... no nosso exemplo, estamos falando de 25.000,00 (isso se ele vendeu 1000 opções, se foi mais, multiplique proporcionalmente).
Note que esse pode ter sido o lucro de anos de operações, entregues de uma só vez. Se não tem o dinheiro, aí vem a corretora executar o que ele tem para pagar a dívida. Pode ser aquele carro que tá na garagem, comprado quem sabe com muita dificuldade...
Voltando às taxas
Quanto ao risco dessa operação, não se discute, dependendo de quantas opções vendeu e para quanto o papel subiu, realmente estamos falando de risco ilimitado. Como a cotação do papel não tem limite superior, pode subir ilimitadamente, o risco é o mesmo.
Eles não prestam atenção na taxa. O risco/benefício é pior do que em outras operações muito mais seguras. O operador descoberto de opções, lança uma opção de 1 real esperando que ela não dê exercício e com isso ele "ganha 1000 reais fácil (?)". Só que, além do risco altíssimo, há dois detalhes importantes que são negligenciados apenas por super-amadores ou por quem tenta ser mais esperto que o mercado. Esses detalhes são a margem chamada e a taxa de retorno.Os equivocados se colocam nesse risco insano por pura falta de conhecimento
Veja como é uma operação sem sentido:
a) venda descoberta de 2.000 opções a R$1,20 = recebe R$2.400
- risco máximo: ilimitado
- ganho máximo: 2400 reais
- margem 400% : 4 x 2.400 = 9.600
- taxa de retorno maximo = 2400 / 9600 = 25%
b) trava de baixa de 2.000 opções recebendo spread de 1,20 = recebe R$2.400
*considerando uma trava com opções que tem diferença de preços de exercício de 2,00
- risco máximo: LIMITADO a 2,00* - 1,20 = 0,80 centavos x 2000 opções = R$1,600
- ganho máximo: 2400 reais
- margem : 2000 opções x 2,00* = R$4.000
- taxa de retorno maximo = 2400 / 4000 = 60%
Percebam que a maioria das corretoras pedem pelo menos 400% de margem sobre a venda. Ou seja, para cada 1 real vendido é preciso deixar 4 na corretora. Uma trava de baixa normalmente tem chamada de margem calculada pela multiplicação do número de opções vendidas pela diferença entre os preços de exercício (strikes) das opções da trava.
Isto faz com que no cenário 'a' sejam chamados 9.600,00 reais de margem e no cenário 'b' menos da metade disso, 4.000,00 reais. Ambas operações com objetivo de ganhar no máximo 2.400,00 reais.
Quem em sã consciência colocaria em jogo mais de 9 mil reais no em detrimento de colocar menos da metade disso para buscar o um ganho menor? Sim, um ganho menor, pois não se olha o valor recebido na operação e sim a taxa recebida. Na operação 'a' o ganho foi de 25% e na operação 'b' é de 60%. E ainda por cima correndo o risco de perder a margem e ainda sair devendo no caso da operação ir contra.
Só mesmo não sabendo o que está fazendo para colocar mais dinheiro em jogo com intuito de buscar ganho menor e ainda podendo sair devendo da operação.
...e o pior que ainda tem gente cobrando para ensinar os novatos a fazerem uma operação dessas. Antes de entrar em qualquer operação, verifique todo o plano e veja se vale a pena. Afinal, operações que parecem fáceis são as que podem lhe dar mais dor de cabeça.
domingo, 14 de agosto de 2011
Carteiras recomendadas - um estímulo para o GIRO
É fato que qualquer corretora tem como uma das principais fontes de receita os recursos financeiros gerados pelas corretagens pagas pela sua base de clientes a cada compra e venda que estes fazem. Normal, afinal é o negócio delas.
Sendo assim, é óbvio que é interessante que seus clientes executem o maior número de ordens possível. E como conseguir isso? Recomendando tais operações.
Não estou dizendo que você não deve pegar uma PARTE PEQUENA do seu patrimônio para fazer umas operações rápidas (no semanal ou no diário) para tirar algum lucro de bons movimentos e com isso comprar mais ações para longo prazo.
A questão é, se você quer operar algum papel para tirar lucro de movimentos direcionais, use algum método consistente para trade. Não é preciso operar baseado em recomendações, dicas, etc.
A questão é, se você quer operar algum papel para tirar lucro de movimentos direcionais, use algum método consistente para trade. Não é preciso operar baseado em recomendações, dicas, etc.
Não seria tão ruim dar uma olhada nas recomendações, o problema é que na maioria das vezes recomendam compra quando está tudo lá em cima, falando para colocar mais e mais grana e, justamente quando tudo cai, o índice tá no vermelho total, os papéis estão "no fundo do poço" é que recomendam vender tudo, realizar prejuízos e fugir para a renda fixa. Não faz o menor sentido.
Vejam estes dois gráficos, de Gerdau e Usiminas no período semanal como exemplo (NÃO é preciso saber análise técnica para entender):
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| Gerdau semanal |
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| Usiminas semanal |
Notem como a semana de 5 de abril de 2010 era no mínimo para se ficar com o pé atrás para as compras, isso porque estávamos próximos do topo histórico do Ibovespa como visto no gráfico abaixo:
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| Índice IBOVESPA semanal |
É claro que olhando hoje (14/08/2011) fica mais fácil, mas, mesmo naquele dia já era fato que o ibovespa tinha topo histórico em ~73.800 pontos em maio de 2008. Além disso, Usiminas e Gerdau (como outras boas empresas) tinha vindo de movimentos fortes de alta desde março de 2009. No caso destas duas, eram 260% de alta no período mar-09 a abr-10 para Usiminas e 198% para Gerdau no mesmo período.
Então, sem análises para que não pareça que está fácil porque "o lado esquerdo do gráfico é mole analisar". Apenas se coloque naquela semana de abril de 2010 e se pergunte: "qual o motivo lhe faria colocar todo o dinheiro possível em ações que já tinham subido 200% em pouco mais de 1 ano??"
Movimentos fortes de alta como esse acontecem sempre, o que não se pode é cair no canto da sereia e achar que eles serão para sempre. Agora vejamos as recomendações daquela época, ninguém ou quase ninguém diz "cuidado porque já subiu bastante, se tem o papel e não é para aposentadoria realize o lucro, pelo menos parte dele, e se não tem, aguarde um recuo importante para comprar".
O que vemos é isso:
Notem esse trecho do 'histórico da carteira recomendada' de uma corretora. Olhando de baixo para cima, no início de abril, a corretora indica compra de CSN porque as "commodities blá blá blá" e venda de Brookfield por causa do "PAC blá blá blá".
Um mês depois, recomendam venda da CSN e compra da Brookfield.
...se isso não é GIRO, não sei o nome que se dá.
Em tempo, quem seguiu esta recomendação de CSN, PERDEU 17,88% (6 reais por ação) como visto abaixo...
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| CSN diário |
Outro exemplo, em um vídeo que encontrei na web com uma entrevista com uma analista, ela faz comentários sobre os EUA, economia mundial, etc, é citado que o cenário estava positivo para as commodities (aquele mesmo papo de sempre), e que bons papéis para "curtíssimo prazo" (GIRO) as ações a comprar seriam as da justamente a nossa querida Usiminas do exemplo.
Detalhe, o video é de 29/03/2010, exatamente 1 semana antes do derretimento de USIM5. Daí em diante foram 9 semanas fechando em baixa. Depois uma alta de correção e daí em diante pivots de baixa seguidos no semanal até chegarmos aos preços de hoje. Estamos falando de 30,56 até a mínima de 9,86 feita semana passada, 67% de queda em pouco mais de 1 ano.
Aí é que está a sacada, depois de uma alta enorme de 1 ano ninguém manda vender... Quando cai depois de 1 ano, só se vê análises de que o mundo vai acabar e até mesmo dizerem que o aço não seria mais tão usado no mundo... Sabe quando vão mandar você comprar Usiminas? Quando ele estiver próximo dos 30 reais novamente....
Para finalizar, em outra busca pela web, encontrei recomendações de Petrobras e Vale, na mesma época (5/abril/2010), a história é a mesma, recomendam compra quando deveria recomendar alívio de posições. Passa-se o mouse no nomes das corretoras, 2 recomendam Usiminas, 4 recomendam Gerdau, 5 recomendam Petrobras (que no texto erradamente está com acento) e as 6 recomendam Vale.
Acredito que também possam fazer boas indicações até para manter a confiança do cliente. De qualquer forma é bom ter cuidado com o estímulo ao giro...
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