terça-feira, 30 de outubro de 2012

Intervenção x Administração Temporária x Liquidação Extrajudicial

Para entender as diferenças podemos observar a situação dos bancos BVA e Cruzeiro do Sul. No primeiro, os clientes já poderão pedir resgate dos valores garantidos pelo FGC - Fundo Garantidor de Créditos - enquanto que no segundo ainda não.

Veja abaixo as diferentes situações:

Banco BVA S.A.

Teve decretada sua intervenção, com ela, o Banco Central nomeia o interventor, que assume a gestão direta da instituição, suspendendo as suas atividades normais e destituindo os respectivos dirigentes. A intervenção é uma medida administrativa de caráter cautelar que objetiva evitar o agravamento das irregularidades cometidas ou da situação de risco patrimonial capaz de prejudicar os seus credores. Tem duração limitada no tempo e poderá ser seguida da retomada das atividades normais da instituição, da decretação da sua liquidação extrajudicial ou da sua falência.

Os procedimentos já foram divulgados, os clientes segurados pelo FGC com créditos até 70 mil reais em depósitos de poupança, CDB, letras imobiliárias, etc já terão direito aos pagamentos.

Se você é credor do banco BVA, leia mais no site do próprio FGC - clique aqui.

Banco Cruzeiro do Sul S.A.

O Banco Central decretou Regime Especial de Administração Temporária (RAET) e em suas empresas controladas nomeando o  FGC  para executar a Administração Temporária.

O RAET é uma espécie de intervenção que não interrompe e nem suspende as atividades normais da empresa, sendo seu principal efeito a perda do mandato dos dirigentes da instituição e sua substituição por um conselho diretor nomeado pelo Banco Central, com amplos poderes de gestão. Também tem duração limitada no tempo e objetiva principalmente a adoção de medidas visando à retomada das atividades normais da instituição. Quando isso não é possível, pode vir a ser transformada em intervenção ou liquidação extrajudicial.

Ou seja, a decretação do RAET não provoca o vencimento antecipado de nenhuma operação ativa ou passiva de qualquer  uma das entidades. Igualmente não gera a ativação do mecanismo de proteção assegurado pelo FGC aos clientes.

O FGC informou que os pagamentos dependem do resultado do levantamento que será realizado pelo Liquidante e que todos os créditos enquadrados nas normas vigentes serão liquidados tão logo o levantamento seja concluído.

Os credores devem aguardar orientações do FGC quanto ao pagamento.

Se você é credor do banco Cruzeiro do Sul, leia mais no site do FCG na página em relação ao Cruzeiro do Sul - clique aqui.

Além dessas duas modalidades de atuação do Banco Central, ainda há a Liquidação Extrajudicial

A liquidação extrajudicial é medida mais grave e definitiva. Destina-se a promover a extinção da empresa quando ocorrerem indícios de insolvência irrecuperável ou quando cometidas infrações às normas que regulam a atividade da instituição. Objetiva promover a venda dos ativos existentes para pagamento dos credores, com devolução de eventual sobra aos controladores ou sua responsabilização pelo passivo a descoberto.

Fonte: Banco Central do Brasil

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Quedas na bolsa - E daí?

Este post é marcado pelo dia em que as famosas "ações defensivas" despencaram  na bolsa. Quedas como de Cemig (-19,93%) e Transmissão Paulista (-24,36%) chamaram a atenção de todo o mercado hoje.

O que mais se viu foram sócios minoritários preocupados como se o mundo tivesse acabado. Pessoas que possuem mais da metade de sua carteira de ações formada por empresas de energia elétrica.

Aí surgem as perguntas: a culpa é de quem? Por que isso aconteceu? A bolsa é um perigo?

domingo, 2 de setembro de 2012

A venda coberta e a direção do mercado

Muitas pessoas pensam que o sucesso da venda coberta de opções está *diretamente* ligado à direção do mercado. É aquela famosa afirmação de que, para vencer lançando opções, é preciso de uma mercado de baixa. E que no mercado de alta seria a hora de parar com esta operação.

Depende.
Acho isso é uma equívoco. Pensando desta forma, o operador que utiliza a estratégia de venda coberta OTM com intuito de remunerar sua carteira simplesmente irá parar de fazer tal operação em mercados altistas.

Porém, percebam que a questão não é a direção do mercado e sim o operador e seu método.

No mercado de baixa, temos sim a sensação de maior facilidade para ganhar as vendas, já que algumas vezes conseguimos zerar a venda rapidamente, em menor tempo do que esperamos.

Mas não é algo definitivo: "vender OTM só na baixa".
Há de se notar que em mercados baixistas, a volatilidade aumenta e esta sim é a pior inimiga do lançador. Se o operador não buscar lastro, bastará um dia de alta forte para que ele comece a 'passar calor' e acabar zerando (talvez no prejuízo) uma venda que tinha tudo para ser terminada no lucro.

O problema do operador que se baseia na direção do mercado para vender VE é que ele passa a 'seguir a tendencia de baixa' e começa a aceitar lastros MENORES e acaba sendo 'violinado' facilmente.

Pior, ele segue tanto a tendencia, que se o mercado reverter e ele entrar numa de "é só um repiquezinho" e não acionar seu stop, acaba sendo exercido resultando numa venda de suas ações no fundo.

Outra coisa ruim que vejo nos operadores que se preocupam com a direção do mercado em vez do seu método e na constante melhoria do seu jeito de operar é que ele acaba parando de fazer a venda coberta em mercados de alta. Isso faz com que ele perca a oportunidade de ter um plus na remuneração da carteira.

Por isso na minha opinião, avaliar a relação "lastro x tempo x tamanho do VE" mais importante do que a direção do mercado. Isso para quem quer ser vencedor no LP com VC OTM.

Nesta relação, particularmente, dou um peso levemente maior para o LASTRO. Pois é ele quem me protegerá das altas volatilidades em mercados baixistas e me manterá calmo nos tempos de alta.

Ainda que eu fosse dar alguma atenção para o fato do mercado estar de alta, quando fosse o caso, eu olharia de modo mais distante, dando aquele zoom afastado.

Ou seja, tomemos como exemplo a VALE5:

Olhando um gráfico mensal dela (só para ter noção da variação, não é para utilizar para fazer VC), podemos notar que este ativo poquíssimas vezes subiu mais de 12% desde a abertura até ao fechamento de qualquer mês. Mesmo em períodos de altas como os anos de 2007 ou 2009, por exemplo.


É um estudo empírico, não estou olhando para a volatilidade naqueles meses, nem pesquisando o tamanho dos VEs em cada vencimento. Mas consigo perceber que um vendedor coberto que lançou opções OTM buscando lastros de, digamos, uns 10%, foi vencedor na soma das operações de todo o período já que teve que stopar no prejuízo.

E nem estou considerando que a venda não é obrigatoriamente feita na abertura do mês.

Portanto, passar calor em algumas vendas é normal, mas não significa que será stopado no prejuízo.
Se for stopado, normal também.
Importante é que não tome um stop tão grande que devolva o trabalho de meses de venda, às vezes anos.

Esqueça a tendencia.
Esqueça as cotações.
Siga seu método.
Se o método usado for levando em conta 'lastro x tempo x tamanho do VE',
suas chances de sucesso no LP serão enormes!

Boa remuneração de carteira pra todos !

domingo, 26 de agosto de 2012

Monotonia e Tranquilidade ao Investir

Se há uma coisa interessante ao investir, é a monotonia. Essa palavra não se aplica bem à nossa vida, ninguém (ou a maioria das pessoas) gosta de ter uma vida monótona. Como é bom passear, viajar, e fazer coisas animadas.

Entretanto, quando o assunto é investimento, a monotonia é uma aliada que ajuda a trazer tranquilidade. Ao investir, procure diversificar em produtos e modalidades que lhe tragam tranquilidade.

Isso pode ser conseguido tanto na renda fixa quanto na renda variável. Na fixa, em vez de perder tempo caçando o fundo que deu melhores resultados nos últimos anos, ou procurando achar um banco pequeno que pague uma taxa maior num CDB, é muito mais tranquilo buscar produtos que mesmo com um retorno um pouco melhor, lhe dê uma segurança.

Neste caso eu citaria a poupança para o curto prazo (até 2 anos) e os títulos públicos para médio e longo prazo, diversificados em diferentes vencimentos e diferentes classes (LFTs, LTNs e NTNBs). Monótonos e tranquilos.

Falando em renda variável, muitos que não conhecem pensam que não existe tranquilidade nesta modalidade. Para estes, sugiro que pesquisem a evolução de empresas que mantiveram seus lucros constantes durante os anos. Certeza de vitória não existe, mas em dois séculos, foi este tipo de empresa que aumentou seu patrimônio líquido e consequentemente o patrimônio de seus sócios.

Se você entra de sócio em empresas que têm mantido seus lucros regulares e crescentes, no longo prazo seu patrimônio irá aumentar. Some a isso, pequenos aportes mensais durante o período e esqueça os movimentos e notícias no curto prazo. Deixe lado o que o mercado está fazendo no dia-a-dia e importe-se apenas com os balanços anuais de suas empresas.

Desta forma, você irá provar a monotonia da bolsa, saber o que é ser sócio de empresas sem viver preocupado, e claro, encontrando a tranquilidade.

Resumindo, diversifique em diferentes produtos que lhe tragam tranquilidade. Esqueça especulações loucas em ações de empresas que não dão lucro e esqueça produtos de renda fixa que prometem resultados mirabolantes, mas que na verdade tem resultados corroídos por taxas e afins.

Emoções? Deixe para buscar em outros lugares. Ao investir, prefira a monotonia. Ela poderá lhe trazer a tranquilidade.



segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Operar opções NÃO é operar movimentos direcionais


Esse final de semana vi algumas pessoas muito temerosas com travas de alta montadas na sexta-feira em Petrobras, pelo simples fato que a empresa divulgou resultado negativo do lucro líquido.

O medo do pessoal, era que o papel fosse despencar nesta segunda, e tais travas dariam prejuízos para muitos.

Pois bem, é preciso repetir mais uma vez:
'Operar opções NÃO é operar movimentos direcionais'

Antes disso: não há certeza na bolsa. Quanto mais certeza que você possa ter em relação a uma queda ou uma alta, mais você acabará perdendo.

Voltando ao VE, um belo exemplo é a trava de alta +PETRH18 / -PETRH19, esta trava chegou a custar 0,67 centavos para ser montada na quinta-feira (02/08), com spread máximo de 0,83 cents.

A despeito de resultado trimestral, cair ou subir, o que importa é que a operação (para quem montou) segue tranquila, com spread fechando hoje a 0,76 cents.

Não estou discutindo se valia à pena fazer a montagem.
Estou apenas tomando isso como exemplo para aqueles que insistem em operar opções usando movimentos da ação.

E se tudo desse errado?
E se a petrobras realmente despencasse para 16, 15..10 reais?

Nada para se emocionar, bastava o operador montar sua trava com custo que ele aguentasse perder tudo e pronto.

Exemplo: Se custava 0,70 cents para montar e perder 700 reais não o abalaria, faria com 1.000 opções e pronto.
Se fosse metade disso, 350... usava 500 opções...
E por aí vai...

Até chegar a risco mínimo que a pessoa queria correr: ZERO reais
Para isso, montava com ZERO opções, isto é, não montava a operação.

Simples assim.

Pare de tentar prever o futuro
Mesmo que "tudo indique" alguma coisa.

Carlos Magno