sábado, 20 de julho de 2013

Porque não gosto de Asset Allocation

Basicamente, Asset Allocation é a estratégia onde o investidor, depois de ter definido os percentuais de cada investimento quer em sua carteira, vai fazendo ajustes ativamente para manter o balanceamento.

Por exemplo, digamos que ele queira ter 50% do patrimônio em renda fixa e 50% em renda variável. Passado um tempo definido, 1 ano por exemplo, caso as ações tenham subido muito e agora representam 60% do patrimônio dele, ele vende os 10% excedentes e coloca na renda fixa trazendo a carteira para o balanceamento original.

Isso parece muito legal no papel, parece fácil. Mas para realizar essa estratégia é preciso muito "timing". E como sabemos, "acertar" o momento é muito difícil.

A diversificação em si é uma das coisas mais importantes na formação de patrimônio
acredito que junto com o controle de risco, os dois formam o maior escudo para o investidor.

Mas eu gosto da diversificação ajustada APENAS POR COMPRAS com dinheiro novo. Nunca vendendo nada, a não ser que fique ruim, por exemplo uma empresa que deixou de dar lucro.

O problema da Asset Allocation é que esta estratégia usa as vendas como um elemento para ser implementada. É aquele papo de "ações estão em alta, vendo uma parte e ponho na renda fixa. Quando estão em baixa, pego a tal parte da RF e compro as ações".

Essa estratégia pode acabar se tornando um desastre para o pequeno investidor no longo prazo porque:

  • aumenta os custos devido ao giro de capital
  • aumenta o pagamento de imposto de renda
  • aumenta a necessidade de acompanhamento do mercado
  • faz com que o investidor fique focado em cotações, tomando-lhe um tempo que poderia estar estudando fundamentos de empresas.
  • aumenta a necessidade de acertar o timing das operações, consequentemente se o investidor vender ações achando que já era topo e elas continuarem a subir, faz com que ele fique estressado devido seu erro.
  • obriga o investidor ficar ligado em macroeconomia, mercado em geral, condições econômicas do país, etc. Afinal, como o investidor decidiria, por exemplo, se um título do tesouro direto "está bom para comprar"?

Em suma, o investidor que acha que consegue implementar Asset Allocation no longo prazo vai acabar vendendo ações no fundo, comprando no topo e fazendo rolo desnecessário com renda fixa.

No fim das contas pagando muito mais IR, muito mais taxas e desta forma qualquer vantagem financeira que possivelmente conseguiria, seria detonada por estes custos a mais.

Fora o stress...

Portanto, diversifique apenas com compras. Seguindo o exemplo anterior, quando o investidor vê que a renda variável está significando muito mais no seu patrimônio do que a renda fixa, para ajustar ele passa a comprar apenas renda fixa com dinheiro novo.

2 comentários:

  1. Eu simpatizei com a estratégia de alocação de ativos quando tomei conhecimento. O que não me agradou foi a questão do rebqalanceamento da carteira, com a venda do que está em excesso.

    Então, o que adotei foi a alocação com balanceamento utilizando dinheiro novo. Estou no início deste trabalho, então não digo que seja a melhor estratégia, mas me parece sensato não mexer nos ativos apenas pela formalidade de manter a carteira balanceada. Concordando com você, pode não ser o melhor momento de girar o excedente.

    Parabéns pelo blog. Vou olhar mais a fundo!

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  2. Pois é, a ideia é evitar ao máximo o gira-gira.
    Parar com o conceito de ficar vendendo o que é bom... Se é sócio de uma empresa e ela é lucrativa, tem boa governança, dívidas baixas, margens elevadas, etc, não há motivo para deixar de ser sócio ou "diminuir a exposição" com vendas.

    Redução de exposição inteligente se faz com compras de outros ativos da carteira. Quando um ativo "fica para trás" na carteira porque o preço caiu ou porque os demais subiram, se ele ainda é bom, o próximo aporte vai para ele.

    Vendas só se faz do que deixou de ser bom...

    Obrigado pelo feedback, aproveite os outros artigos!

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