![]() |
| Cortesia: Grant Cochrane/freedigitalphotos.net |
Muitas vezes a boa e velha poupança é criticada por ter um baixo rendimento, algo em torno de 0,5% ao mês.
Sim, esse rendimento é realmente baixo, como podemos ver no artigo Taxa de Juros Mensal para Anual, essa rentabilidade é equivalente a 6,17% ao ano.
Porém, para aqueles que pensam em formar patrimônio para ter renda passiva, a poupança é uma ferramenta extremamente importante. Vamos ver duas vantagens da poupança: isenção de imposto e liquidez diária.
- Isenção do imposto de renda
Essa é disparada a maior vantagem da poupança.
Os investimentos de renda fixa possuem taxas progressivas de pagamento de imposto de renda.
Isto é, o investidor que possui aplicações na renda fixa tem a obrigação de pagar no mínimo 15% sobre o rendimento que conseguir.
Atenção para a palavra mínimo. Dependendo do tempo, a taxa pode chegar a 22,5%.
Quanto menor o tempo do investimento, mais imposto é pago.
Mas na poupança nada disso se aplica, ela é isenta de imposto de renda. Isso é muito importante.
Digamos que uma pessoa está programando fazer um curso no exterior daqui a pouco menos de 1 ano. Um curso relativamente caro, que ainda tem os custos de translado, hospedagem e alimentação.
Se essa pessoa decidir juntar dinheiro em tesouro direto, CDB ou qualquer outra modalidade de renda fixa, será obrigada a descontar 20% dos rendimentos por causa das faixas acima.
Agora, veja a imagem abaixo:
![]() |
| fonte: BCB - Banco Central do Brasil |
Atualmente (primeira edição deste artigo em outubro/2013), a taxa básica de juros, a Selic, está em 9,50% a.a. Ou seja, se essa pessoa investir em títulos que seguem a Selic, terá um rendimento anualizado próximo de 9,5% a.a.
Descontando os 20% de IR dos 9,5%, teremos 7,6% de rendimento.
Vamos desconsiderar os custos do tesouro direto que são irrisórios.
Descontamos apenas uns 0,25% a.a. de administração da corretora, resultando em 7,35%.
Veja na imagem acima que a remuneração da poupança com data-base em 15/10/13 está em 0,61% a.m, isso dá 7,57% a.a.
Ou seja, para um prazo tão pequeno, o imposto "come" boa parte do rendimento.
Desta forma, aplicações de renda fixa empatam e até perdem para a poupança no curto prazo (até 2 anos), dependendo dos níveis da taxa Selic.
Isso significa que, se você colocar TUDO em qualquer investimento de renda fixa atrelado à Selic, você ficará à mercê da variação dela. Por isso, é recomendável ter uma PARTE do seu patrimônio em diferentes modalidades, inclusive poupança.
Isso significa que, se você colocar TUDO em qualquer investimento de renda fixa atrelado à Selic, você ficará à mercê da variação dela. Por isso, é recomendável ter uma PARTE do seu patrimônio em diferentes modalidades, inclusive poupança.
- Perfeita para emergências
Todo investidor precisa de ter uma reserva para emergências. Afinal, se acontece alguma coisa inesperada, um problema que demande resgates imediatos, como fazer se a maior parte dos recursos estiver investida em modalidades que possuam resultados variáveis como títulos pós-fixados ou ações.
- Vender títulos do tesouro antes do vencimento?
- Utilizar as ações para emergência?
Dito isso, é muito importante ter uma parte em poupança.
Mais uma vez, não é necessário que você tenha que decidir entre ficar na poupança OU ir para o tesouro direto OU ir para a bolsa.
Afinal, investimentos não são excludentes.
Tenha um pouco de tudo, ações, títulos públicos, imóveis e, claro, alguma reserva na tradicional poupança.



Carlos, boa tarde!! Descobri este seu site recentemente e estava lendo todos os artigos. Parabéns.. todos com bons ensinamentos. Quanto a este artigo, nos dias de hoje, com a selic a 14% compensa investir em LFT mesmo no curto prazo tendo que pagar IR máximo, correto?
ResponderExcluirBoa tarde,
ResponderExcluirObrigado pelo feedback.
Não importa quanto está a Selic, investir em títulos públicos sempre será mais rentável que a poupança, porque esta não tem ganho real, enquanto que qualquer título tem ganho real, mesmo descontado IR.
O grande lance é não tentar escolher apenas 1 tipo de investimento, mas sim, fazer um mix com poupança, títulos e ações. Dinheiro para reserva de emergência deve ficar na poupança, dinheiro para períodos em torno de 2 ou 3 anos, prefiro títulos atrelados a Selic, e, aquele dinheiro para construir patrimônio para o longo prazo, acredito que deve ir para títulos atrelados ao IPCA e para as ações.
Abraços.
Boa tarde,
ExcluirPor nada!! E sim, concordo que quando falamos sobre investimentos, sem dúvidas o mais correto é a diversificação.
Mas volto novamente a grande questão sobre dinheiro que irei utilizar no curto prazo (6 meses a 1 ano, por exemplo). Por que não investir tudo em LFT já que mesmo no curto prazo ela rende mais que a poupança e também tem liquidez? Estou juntando uma grana para minha casa que se Deus quiser irei começar a construir mês que vem. Estou colocando tudo em LFT, estou fazendo errado será? =/
Logo acima no texto eu falei sobre isso e dei exemplo de uma pessoa que está juntando dinheiro para viajar dentro de 1 ano.
ResponderExcluirPara um prazo tão pequeno, o imposto "come" boa parte do rendimento.
Se você vai resgatar o dinheiro em menos de 1 ano, vá de poupança mesmo. Eu particularmente só penso em títulos públicos para aquela parte do patrimônio que vai ficar parada por pelo menos 2 anos, pois neste prazo entramos na faixa mínima de IR (15%).
Abraços
Então Carlos, mas no seu exemplo acima de 2013 a taxa selic estava 9,50% aa, dai sim concordo sem lhe indagar mais sobre isso. Mas hoje a taxa selic está 14,25% aa e a poupança continua quase no mesmo patamar de 2013, ou seja, próximo dos 7,5% aa. Descontando os 20% IR conforme simulação que fez acima, de 14,25%, teremos 11,4%. Não acha essa diferença de 11,4 para 7,5 boa para compensar investir em selic mesmo no curto prazo (lógico, levando em consideração os dados de hoje)?
ResponderExcluirOlá Anônimo!
ExcluirConcordo plenamente com você.
Tem apenas um porém: você chegou a essa conclusão baseando-se nos dados atuais.
E se a Selic descer? E se a Selic for para um patamar em que descontando o IR e os custos você praticamente empate, ou até mesmo, perca para a poupança?
Ok, eu sei que no cenário atual isso dificilmente vai acontecer, mas entenda, o bom investidor planeja de acordo com os riscos e não com os ganhos.
Por isso a máxima "não coloque todos os ovos na mesma cesta" é tão válida.
Atenção com a expressão "no cenário atual".
Tente planejar seus investimentos de forma que seus riscos sejam reduzidos em mais de um cenário.
Desta forma, evite colocar TUDO na SELIC ou em qualquer coisa. Opte por reservar uma parte em outras modalidades, até mesmo poupança. Diversificar, é a única coisa que te protege nos investimentos.
Obs: vi só agora que preciso atualizar o texto, há um bom tempo que os títulos públicos deixaram de poder ser resgatados somente às quartas! :-)